Blog Mateus28

É necessário que Ele cresça

Carolina Marques September 3, 2020

 

A noiva pertence ao noivo. O amigo que presta serviço ao noivo e que o atende e o ouve, enche-se de alegria quando ouve a voz do noivo. Esta é a minha alegria, que agora se completa. É necessário que ele cresça e que eu diminua.João 3:29-30

Essa foi a resposta de João Batista quando alguns dos seus discípulos lhe relataram acerca da crescente popularidade de Jesus. João nem sequer hesita em afirmar, que era exatamente isso o que deveria acontecer. Sua resposta revela um homem convicto da sua identidade no Reino de Deus. Estava claro para João qual era o seu papel. E a alegria dele estaria completa justamente ao poder viver e cumprir o seu chamado - preparar o caminho para o Messias.

Não pude deixar de fazer algumas associações entre o ministério de João e o que chamamos de “missão de base”. Meu marido e eu, após vivermos dez anos em Fortaleza, ministrando a estudantes universitários, estamos em um período de transição em São Paulo. Enquanto oramos e buscamos em Deus direção para o nosso próximo passo, estamos servindo à nossa missão, a Cru Brasil, na área de comunicação.

A missão de base consiste em todo o esforço, geralmente nos bastidores, para prover uma estrutura mínima necessária ao funcionamento de uma missão. Hoje, ao tentar estruturar a área de comunicação institucional da nossa missão, nos encontramos entre os missionários que atuam nessa modalidade. É um trabalho extremamente necessário e que ocorre nos bastidores.

Parte da nossa função é ajudar a propagar o que Deus tem feito através da vida dos nossos missionários. Foi então que me lembrei de João e de como eu posso me inspirar nele. E talvez você, missionário de base que esteja lendo esse texto, também. João não parecia  desconfortável ao não ter mais os holofotes sobre ele. Ele tinha consciência que sua vida deveria apontar para Jesus.

Quando temos a oportunidade de servir e colocar as obras de Jesus em evidência, estamos seguindo o caminho de João. Quando transmitimos com alegria e celebração o que Jesus tem realizado em nossos ministérios por meio de nossos irmãos, estamos mais uma vez dizendo: “É necessário que Ele cresça e que eu diminua”.

E este é um ponto que fala ao coração de todos os filhos de Deus, nos bastidores ou não. Seja qual for a nossa atuação como missionários, queremos sempre apontar para Jesus. Jesus. O centro dos nossos ministérios. Aliás, no capítulo anterior, Jesus nos dá um “banho de realidade” ao mostrar como ele mesmo lidou com a sua crescente popularidade:

“Muitos viram os sinais miraculosos que ele estava realizando e creram em seu nome. Mas Jesus não se confiava a eles, pois conhecia a todos. Não precisava que ninguém lhe desse testemunho a respeito do homem, pois ele bem sabia o que havia no homem.” João 2:23-24

Jesus foi um homem de fé inabalável em Deus. Mas quanto aos homens que começaram a seguí-lo, atraídos pelos milagres que realizava, a esses ele olhou com desconfiança. Agora, uma confissão pessoal. Eu confesso que, por vezes, temo, indagando o que as pessoas pensam de nós, atuando como missionários de base. Tento escapar do temor, pensando: “é só uma fase”. Mas e se, para além de uma fase, Deus nos chamar a continuar com esse trabalho? Não tenho ainda essas respostas.

Admito que dizer “olá sou uma missionária de base, trabalhando em comunicação” não me parece tão empolgante quanto dizer o que eu fazia antes, quando morava no Ceará. Não ME parece. Mas a postura de Jesus, quando seu ministério foi se tornando mais notório naquela localidade, me dá uma pista de que o meu coração pode se enganar. Nem número de seguidores, nem milagres, eram o critério de sucesso de Jesus, mas sim, sua inabalável resolução de obedecer ao Pai. Ser missionário tem mais a ver com ser obediente ao chamado de Deus do que com os resultados.

Se você é um missionário de carreira (como eu entendo que sou), haverá muitas etapas na sua caminhada. Haverá momentos em que Deus, por sua graça, vai permitir a você estar em evidência, e receber um gostinho agradável do desejado reconhecimento. Mas não se deixe enganar, nesses momentos é hora de acionar nosso “desconfiômetro espiritual”. E como Jesus, lembrar de como é o coração do homem. Não é tão difícil de entender, é só olharmos para o nosso próprio coração.

Também haverá momentos em que parece que “nada” acontece. Você investirá horas, dias, meses para preparar algum recurso, cujo “autor”, no futuro, ninguém conhecerá. Nesses momentos, lembre-se de João. E entenda que não é só uma boa ideia que Jesus cresça e que você diminua. É necessário. É assim que fazemos missão. Se Jesus não crescer, chamemos de outra coisa. Um projeto pessoal, um sonho, enfim. 

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